Mini Cursos

Informações:

  1. Os Mini Cursos terão a duração total de 04 horas e acontecerão nos dias 07 e 08 de maio, das 08:00 às 10:00.
  2. As inscrições para os Mini Cursos acontecerão durante o credenciamento, com 30 vagas para cada opção.

Minicursos:

1. Pedagogia Militar Luso-brasileira e as Minas Setecentista (auditório 201 – Pavilhão de Auditórios)

Proponente: Dr. Francis Albert Cotta

Em meados do século XVIII o Exército Português passou por uma reestruturação cuja base está na institucionalização de uma nova Pedagogia Militar, que teve como centro as reformas do Conde de Lippe. oficial prussiano, indicado pela Inglaterra, Lippe considerava a leitura fonte para formar-se “o Espírito Militar e prover-se de ideias, por ela se enriquecia com as luzes e com as experiências dos outros”. Ele exortava aos oficiais que se dedicassem à leitura em suas horas de descanso. Para tal, em cada regimento, sob a responsabilidade do comandante, haveria um número de livros militares. A biblioteca deveria possuir livros e regulamentos militares publicados na Espanha, pois era “conveniente achar-se instruído do conhecimento militar dos seus vizinhos. O Oficial considerava a subordinação como a alma do serviço e que sem ela, eram inúteis as melhores qualidades militares. A potencialização da ideia de um Espírito Militar se fez sentir seja por meio de processos pedagógicos de natureza prática, como os desencadeados nos diversos regimentos em que os soldados eram submetidos aos treinamentos específicos, ou intermédio da “ilustração militar”, proporcionada aos oficiais, pelas bibliotecas militares. A constituição de um Espírito Militar, repensado e potencializado a partir de Lippe, teria continuidade pela feitura de manuais e de leis que procuravam enaltecer e destacar a “profissão e as virtudes militares”. Em Portugal, a valorização do ensino militar e da importância dos livros teriam permanecido mesmo após a saída de Lippe. Em 1785 o Tenente de Cavalaria, José Marques Cardoso, trouxe a lume os Elementos da Arte Militar. Sua obra tem como pontos centrais a valorização dos livros, a História Militar e a prática da Arte da Guerra centrada na disciplina e na ordem. Esse movimento transpôs o oceano e em virtude dos conflitos no sul da América Portuguesa para lá foi enviado o discípulo de Lippe, o tenente-general John Heinrich Böhn. Na mesma época com a criação do Regimento Regular de Cavalaria (1775), os regulamentos do Conde de Lippe foram utilizados. Dessa forma, o minicurso propõe apresentar fontes coletadas em arquivos portugueses e brasileiros para lançar luz sobre a Pedagogia Militar em seu processo de longa duração histórica.

Palavras-chave:

Livros Militares, Pedagogia Militar Luso-brasileira, Minas Setecentistas, Organização Militar Luso-brasileira.

2. “Desafio da interdisciplinaridade: Como reduzir as desigualdades de gênero?” (auditório 202 – Pavilhão de Auditórios)

Proponentes: Ms.Arnaldo Oliveira Rodrigues e Dra.Karla de Souza Torres

Uma reportagem datada de 2017, divulgada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) mostra que as desigualdades sociais são visíveis na participação diferencial de homens e mulheres no mercado de trabalho. Observa ainda que “as mulheres são menos empregadas, trabalham mais horas, ganham menores salários, e têm menos garantias para a proteção social em saúde, incluindo taxas mais baixas de pensão e aposentadoria”. No ano de 2018, às vésperas das eleições para a presidência, pode-se observar alguns candidatos expressarem suas opiniões e projetos assinalando que as desigualdades entre homens e mulheres não deveriam ser foco da ação do Estado. Tais premissas demonstram a permanência histórica e inclusive, institucionalizada, da desigualdade de gênero, sobretudo nos âmbitos da saúde, educação e trabalho, o que configura portanto, uma questão digna de estudo e intervenções tanto psicossociais quanto das políticas públicas. Estudar tais temáticas é fornecer base para as mudanças e concomitante desenvolvimento e empoderamento de tais sujeitos. É também pensar na construção de uma sociedade outra em que os diversos saberes trabalhem em prol da justiça social, equidade, direitos iguais. Tendo em vista esta breve introdução, na qual apresentamos uma faceta do nosso contexto atual, ainda preocupante para os estudos de gênero, propomos discutir estes temas no minicurso, tomando como referência algumas situações ocorridas na trajetória do movimento feminista, tais como o debate sobre o público X privado, corpo e propriedade, luta por direitos (Trabalho, Aborto, Saúde, dentre outros). Para isto, são contextualizadas as etapas ou “ondas” do movimento feminista bem como suas reivindicações, numa linha histórica datada do início do século XIX até os dias atuais. Tomamos como referência norteadora das discussões, o artigo “Mulher e democracia” de autoria de Almira Rodrigues e a partir dele discute-se a participação política, o sentido de democracia, as formas de enfrentamento das desigualdades e, ao fim, lançamos questionamentos para uma construção conjunta: quais as contribuições da História, da Psicologia, da Política, das Ciências Sociais, da Educação, enfim, das ciências e da interdisciplinaridade para o enfrentamento das desigualdades de gênero?

Referência: RODRIGUES, Almira. Mulher e Democracia. Fragmentos de Cultura (Goiânia), Goiânia/GO, v. 15, n.n.7, p. 1.163-1.175, 2005.

  • Palavras chave (de 03 a 05): Gênero, Desigualdades, História, Psicologia, Política.

3. 65 anos da Biblioteca Antônio Torres e seus diferentes usuários. (auditório 203 – Pavilhão de Auditórios)

Dra. Elizabeth Aparecida Duque Seabra (UFVJM) e Guilherme Henrique da Silva (UFVJM)

Este minicurso tem por objetivo apresentar e discutir os resultados de uma pesquisa de pós-doutorado que teve por objeto a Biblioteca Antônio Torres localizada no centro de Diamantina, Minas Gerais, cidade cujo traçado urbano, em seu conjunto central, é tombado pelo Iphan e pela Unesco e se apresenta como uma paisagem colonial mineira. A Biblioteca, subordinada à administração regional do Iphan, está abrigada em um edifício tombado desde 1954, a Casa do Muxarabiê,o qual se articula aos traços geográficos, ambientais, urbanos, arquitetônicos e históricos que contribuem para uma visão de organicidade do conceito de paisagem colonial. A investigação procura situar, a partir de pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas, questionamentos em relação às instâncias de produção de sentidos desse lugar social da instituição biblioteca como parte da paisagem e patrimônio da cidade e sua apropriação pelos sujeitos que fazem usos cotidianos de seus serviços e espaços. A Biblioteca é analisada a partir do conceito de práticas informacionais engendradas pelos usuários que a frequentam (profissionais, estudantes, visitantes e pesquisadores) em suas ações cotidianas, experiências e aprendizagens e contribuem para o entendimento da complexidade das relações e processos que envolvem os estudos do patrimônio, da paisagem e da cultura. Este minicurso tem por objetivo discutir a negociação de sentidos que se estabelece entre as instituições de guarda dos acervos e seus usuários.  O trabalho realizado empreendeu uma aproximação com o campo de Estudos de Usuários na  Ciência da Informação a partir de dois movimentos: primeiro, a pesquisa documental realizada na Biblioteca Antônio Torre, a partir da qual é examinado o conceito de práticas informacionais; o segundo movimento investigou as ações desenvolvidas por esses sujeitos  para se tornarem produtores locais de conteúdos informacionais com base na interação que estabelecem com a biblioteca e outras instituições curatoriais da cidade. O minicurso pretende apresentar a pesquisa e situar questionamentos em relação aos estudos de usuários nas abordagens chamadas de “tradicionais e alternativas”, apontando tanto os limites das análises que definem o conceito de informação em seus aspectos físicos, quanto aqueles cujo foco é posto no aspecto cognitivo. Postula-se, a partir da dinâmica histórica da Biblioteca, que a relação entre instituições e sujeitos são centradas nas práticas de produção de sentidos cujos resultados desencadeiam práticas sociais muito diversificadas. Estas práticas informacionais se apresentam como sentidos de experiência, seleção e atualização de conceitos numa ação de construção de identidades dos diferentes usuários. As práticas favorecem a caracterização de uma comunidade de apropriação de informações a partir dos registros patrimoniais e contribui para o entendimento da complexidade das relações e processos que envolvem os estudos de usuários. O minicurso pretende promover uma visita presencial dos participantes à Biblioteca Antônio Torres.

Palavras-chave: Diamantina; Biblioteca Antônio Torres; Estudos de usuários; Práticas Informacionais.

4. Educar solteirões extravagantes: Culturas educativas não escolares presentes em testemunhos do século XVIII mineiro (auditório 204 – Pavilhão de Auditórios)

          Dr. Hilton César de Oliveira (UEMG)

Ao protagonismo silencioso das populações agrafas, essa é a direção a que se deve volver o olhar dos pesquisadores das práticas educativas não escolares, imbuídos em fazer emergir da documentação, o protagonismo dos negligenciados por elas, que de outro modo permaneceriam submersos, ocultados, esquecidos. Sabe-se da complexidade presente nessa tarefa, porque depende da habilidade na identificação dos elos coesivos existentes entre um ou mais acervos documentais. Disso decorre que dentre fontes mudas e eloquentes (depende do ponto de vista do leitor) deve-se se buscar o equilíbrio, posto que, o interditado, o subliminar, o não dito podem ser equacionados, pondo-se umas frente às outras. Como já anunciava Marc Bloch: a comparação é a varinha de condão da História Contudo, tudo isso dependerá da feitura da pergunta certa, posto que, só ela revelará aquele documento esquecido nos arquivos, que passará ser a pedra angular na compreensão de uma cultura educativa inaudita. Por outro lado, outro aspecto também deve ser salientado: a indagação correta dependerá também de quão bem informado está o pesquisador, sobre o contexto social que perpassa o objeto a ser pesquisado, e mais ainda: sobre a produção historiográfica dedicada a ele. No primeiro caso dicionários, compêndios, legislações, instruções, ex-votos, memórias, orações fúnebres dentre outros são sempre bem-vindos para se aproximar o máximo possível do período estudado, ainda que não se possa de todo evitar, a condição de estrangeiro no passado. Já no segundo caso, além da leitura dos textos de referência, a busca de artigos dedicados ao tema, apresenta-se como algo indispensável, pois, possibilita aproximar-se mais ao estado da arte das pesquisas sobre o tema. Em sendo assim, o pesquisador deve-se despir do pudor de baixar das estantes das bibliotecas coleções completas de revistas especializadas, respeitantes ao tema de pesquisa escolhido, ainda que isso cause impaciências aos bibliotecários. Ele deve admitir que a resposta a um problema de pesquisa está relacionada a obtenção de todo e qualquer material que se puder dispor.

Palavras chave (de 03 a 05): Culturas educativas não escolares, testemunhos, Minas Gerais – século XVIII

5. Com a Voz os Bebês! Eles têm Voz? Reflexões e Memórias acerca do Cotidiano do Bebês na Creche (auditório 205 – Pavilhão de Auditórios)

Dra. NÚBIA APARECIDA SCHAPER SANTOS (UFJF) e Ms.NAISE VALÉRIA GUIMARÃES NEVES (UFJF)

O minicurso proposto tem como objetivo promover reflexões relativas às potências dos bebês na creche buscando discutir sobre a voz dada aos bebês ao longo da história no ambiente das creches. Mas, o que foi e o que é a creche? Quais foram os marcos históricos de mudança na concepção de creche? Ao longo desses marcos de mudanças, qual a posição que os bebês ocuparam e ocupam nos espaços das creches e nos cursos de formação inicial de professores da educação infantil? Quais e como são os espaços destinados aos bebês na creche? Enfim, os bebês têm voz na creche? Essas indagações nortearão a organização de conteúdos e as discussões durante o minicurso. A formação inicial de professor da educação infantil é tema que está sendo fruto de pesquisas e requerendo atenção dos pesquisadores da área da educação. Entretanto, ainda é perceptível a carência de investimentos teóricos nessa área específica, principalmente em se tratando dos bebês. Moruzzi e Tomazzetti (2018), afirmam que ao longo dos estudos realizados sobre pesquisas relativas à formação de professores, a área da educação infantil não tem sido prioridade e ainda aparentam ser em menor proporção em relação as pesquisas sobre formação de professores nas demais modalidades de ensino. No grupo de pesquisa Linguagens, Infâncias, Cultura, Educação e Desenvolvimento Humano – LICEDH, do PPGE/UFJF, nos propusemos a realizar investigações e debates acerca do bebês nas instituições de educação infantil – IEIs. Tecemos discussões sobre sociologia da infância, pesquisa com crianças e, no momento, estamos refletindo sobre o bebês a luz do livro “Educação Infantil como Direito e Alegria” de Lea Tiriba. Considerando as discussões acerca dos espaços e práticas pedagógicas, ressaltamos as intervenções teóricas de Tiriba (2018) quanto ao que ela denomina de “emparedamento” das crianças nas IEIs, bem como reflexões sobre “as formas de organização das rotinas, os modos de relação entre adultos e crianças”. Para ela precisamos apostar nas vivências das crianças com o mundo natural e possibilitar tempo e espaço para brincadeiras ao ar livre. As crianças precisam brincar com água, areia, terra, andar descalças, etc. Nós estamos proporcionando isso nas creches? Qual é o nosso olhar e nossa sensibilidade para com os bebês no seu dia a dia na creche? Tais reflexões nos instigam pensar sobre os espaços que eram destinados às creches ao longo da história até chegar a situação atual. Pensando nos bebês nas creches a luz de Skliar (2011) em seu artigo “Conversar e Conviver com os Desconhecidos…” tomamos consciência de que os bebês são os “outros” “desconhecidos”, que temos a oportunidade de “conviver” e “conversar”. Isso se torna mais claro quando nos deparamos com as afirmações de Larrosa (1998) ao dizer que “a infância é o outro”, é o que inquieta a segurança dos nossos saberes e questiona o poder de nossas práticas. Talvez, ao aprofundarmos nessas e outras proposições teóricas sobre o bebês, conseguiremos responder à questão: “os bebês têm voz nas creches? Como podemos proporcionar isso repeitando a essência dessa etapa de vida no cotidiano das creches?

Palavras chave (de 03 a 05): bebês, creche, formação de professores